Porque o desenvolvimento de competências é importante para conformidade de produtos e serviços?

Porque o desenvolvimento de competências é importante para conformidade de produtos e serviços?

Neste mundo globalizado onde as organizações negociam de forma ampla, as possibilidades de mercado ganham força com novos produtos e serviços. Todos os setores envolvidos desde o agronegócio até as indústrias de transformação, participam de um leque maior de novos produtos, e cada vez mais, prováveis clientes. Vale lembrar que muitos produtos, antes de chegarem ao consumidor,  precisam cumprir requisitos regulamentados por Normas Legais, Nacionais e Internacionais.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) define essa legislação por meio de consenso com outras partes interessadas, e estabelece as diretrizes e os requisitos a serem seguidos de forma obrigatória. Além desses, outros requisitos estabelecidos pelo cliente final também devem ser seguidos pelas organizações que implantam Sistemas de Certificação dos seus processos/produtos.

Observamos que os consumidores estão a cada dia mais atentos a essa questão, valorizando as empresas certificadas. Colchões, bebedouros, capacetes, equipamentos de proteção individual e peças automotivas fazem parte de um extenso do rol  produtos que, de acordo com as Normas Técnicas precisam estabelecer requisitos mínimos para serem comercializados. Esses dados devem estar disponíveis nos produtos, sejam em etiquetas ou outro meio apropriado.

Mas não são apenas produtos que alvo das Certificações. Pessoas (Certificação profissional) e sistemas também são “acreditados” pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – Inmetro e seus Laboratórios e Organismos Certificadores. Para que um produto ou serviço esteja disponível para comercialização, é necessária uma série de avaliações de conformidade. O processo garante a segurança do cliente e a certeza de que o bem adquirido segue um padrão nacional ou internacional.

A certificação é concedida àquelas organizações e/ou produtos que implementam os requisitos exigidos, através de um sistema gerencial de qualidade que envolve: planejamento, controle e inspeção. Profissionais devidamente habilitados devem participar desse processo, descrevendo os procedimentos, fazendo a gestão de oportunidades e riscos, definindo métodos de medição e monitoramento, acompanhando os indicadores de desempenho, documentando e garantindo a rastreabilidade, enfim, fazendo a gestão de todo o sistema.

As auditorias (internas e externas), são responsáveis por manter o sistema em conformidade com as normas implementadas.  Mesmo com o mercado cada vez mais competitivo é importante que os profissionais se conscientizem da importância de cumprirem os requisitos técnicos que vão garantir a qualidade e a segurança do produto. As famosas “maquiagens” antes das auditorias devem ser repensadas, afinal, se desejamos um mundo melhor, temos a responsabilidade de preparar profissionais que se pautam na ética e que estejam capacitados para realizar as atividades propostas. Afinal, a competência configura em um diferencial importante para carreira nos dias de hoje.

Um dos acrônimos mais usados por mim em sala de aula é o “CHA”,  que se refere ao conhecimento, habilidades e atitudes. O conceito foi proposto em 1996 por Scott B. Parry, no livro "The quest for competencies" e, desde então, resume palavras chave muito coerentes na descrição da competência.

O conhecimento é fundamental para que a habilidade seja repleta de novas possibilidades, porém, sem a atitude nada disso faz diferença. Algumas pessoas não acreditam possuir o famoso “dom”, palavra que vem do latim “donus”, que significa dádiva, presente. E Você? Concorda que as pessoas possuem um “dom” recebido como uma dádiva ou acredita que ele também pode ser desenvolvido?   É maravilhoso saber que o conhecimento, aliado à disciplina, pode desenvolver talentos incríveis!

E agora, voltando às nossas inspeções... Ao analisar uma determinada peça, produto ou serviço, os requisitos devem ser devidamente compreendidos para que a análise da conformidade seja assertiva. Vejamos como exemplo a produção de velas. A temperatura de fusão da cera, o diâmetro e comprimento do barbante, o volume, o formato, a cor, o tempo previsto de queima, dentre outros, são essenciais nesse processo.  Do outro lado do balcão existe um cliente que irá aprovar ou não o produto recebido, analisando as suas especificações.

O ônibus espacial Challenger, lançado em 28 de janeiro de 1986, explodiu 73 segundos após o lançamento, matando sete astronautas. O problema foi um simples anel de retenção em borracha.  As certificações, de certa forma substituem os testes que cada cliente gostaria de fazer, mas não eliminam totalmente a probabilidade de uma não conformidade.  

Os profissionais precisam se preparar constantemente, pois os requisitos são cada vez mais desafiadores e complexos, em busca da perfeição que atenda clientes informados e a cada dia mais exigentes.

Misael Sinclair
Misael SinclairProfessor da Ecotec

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